quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Post do Fernando Freitas

Espaço do Nando
Timidez

Dizem que enumerar as próprias qualidades é fácil. Difícil é ter a convicção dos próprios defeitos e procurar aperfeiçoamento. Dentre as várias imperfeições que o indivíduo pode carregar consigo, escreverei sobre a danada da timidez, pois considero este o traço mais evidente em minha personalidade, discorrendo sobre ela com legítimo conhecimento de causa.

Quem é tímido de verdade, sabe como é: ter que conversar com alguém desconhecido ou então estar em um grupo de pessoas diferentes do próprio convívio, pode demandar um sacrifício razoável. A propósito, se o sujeito é tímido até no seu “habitat natural”, como no seio familiar ou no trabalho, é mais grave ainda. Não é o meu caso, graças a Deus!

Ser acanhado tem obviamente outras desvantagens cruciais: a dificuldade nos relacionamentos interpessoais faz com que o indivíduo possa adquirir alguns rótulos equivocados como “sistemático” ou até mesmo “antipático”, sendo que o último dói na alma, pois em boa parte dos casos, (inclusive no meu, modéstia a parte), isso é uma tremenda de uma injustiça. Além disso, é inegável que no mundo atual se sobressaem os mais expansivos e comunicativos, sendo raras algumas exceções. É justo, pois em um contexto globalizado, é natural tal exigência. Quem é demasiadamente discreto que “dê seus pulos” e adapte-se à realidade, ora bolas!

Porém, a introspecção faz com que muitas vezes o tímido “ouça muito” ou “ouça primeiro” antes de falar, e isso, muitas vezes, pode ser considerado uma vantagem. Sabem aquela história do “falou pouco mas falou bonito?” Pois é, a pessoa tímida muitas vezes é marcada por esta qualidade. Tem gente que até acha timidez um charme! Ainda bem que neste mundo tem gosto pra tudo...

Uma coisa, afirmo, com muita propriedade: se existisse um “recall de personalidade”, eu com certeza pediria para que fosse diminuída a minha carga de timidez, pois a considero um fardo. Mas há algo que me consola e que de certa forma ameniza a inveja que sinto dos que são extrovertidos: o símbolo da sabedoria é a coruja, e não o papagaio!

Fernando Freitas é funcionário público estadual e escreve às quartas feiras.

Um comentário:

Anônimo disse...

Adorei...rsrsrs