quarta-feira, 15 de maio de 2013

Post do Fernando Freitas

 Espaço do Nando 
“Evolução cultural”

Em um passado relativamente distante, boa parte da mão-de-obra dos trabalhadores venceslauenses encontrava-se empregada no frigorífico Kaiowa e na Destilaria Decasa, sendo que a última, na época, pertencia aos domínios geográficos do município vizinho de Caiuá. Duas empresas do setor agroindustrial que geravam vários empregos diretos e indiretos para nossa cidade, proporcionando bom fluxo financeiro na praça, estimulando os empreendedores do setor comercial a investirem em nossa comunidade.

E foi nesse cenário de prosperidade econômica que surgiu nossa principal festa, (a Faive); que posteriormente passou a promover shows musicais, na maioria das vezes, sertanejos, provavelmente por uma questão de similaridade com a vocação agroindustrial que originou a feira. Naquela época, os eventos culturais que por aqui existiam estavam restritos aos shows da festa agropecuária, às vindas pontuais dos circos e às exibições de filmes na imponente sala de cinema do extinto Cine Bandeirantes, (ah, quanta saudade!).

Como economia e cultura costumam caminhar juntas, a falência do frigorífico e a instabilidade da usina refletiram nas poucas opções culturais em Presidente Venceslau, que passaram a ficar quase que exclusivas aos shows musicais ocorridos durante a Faive. O saudoso Cine Bandeirantes tornou-se inviável, o que infelizmente acarretou na sua demolição. Passamos a ficar desprovidos de nossa principal sala de cinema, bem como de um anfiteatro. Entendo que vivemos, por alguns anos, um grande “hiato cultural” em nossa cidade.

Atualmente, não conseguimos resgatar o dinamismo econômico de outrora, mas com relação ao contexto cultural, creio que já temos muitos motivos para comemorar. Possuímos já há alguns anos, uma sala de cinema, regularmente prestigiada. Temos agora, dois anfiteatros, sendo que um na Uniesp, e outro, no centro cultural Salvador Lopes, inaugurado na administração anterior. O show dos “Brothers of Brazil” em um restaurante local mostrou que temos empresários ousados e provou que nosso público também aprecia outros gêneros musicais. O teatro ao ar livre da paixão de Cristo, o sarau da Etec, a inserção de Presidente Venceslau no Circuito Sesc de Artes, e a Academia Venceslauense de Letras em plena atividade mostram que vivemos dias melhores com relação à cultura em nossa comunidade.

Recentemente, li com muita felicidade sobre o empreendimento “Estação das Artes”, idealizado pelos irmãos Caco e Afonso Carvalho, e que já teve sua construção iniciada. Um espaço físico moderno e arrojado, que pretende promover eventos culturais diversos em nossa cidade, bem como trazer para Presidente Venceslau peças teatrais que contenham, no elenco, atores de renome nacional. Enfim, se infelizmente nossa cidade ainda parece não vislumbrar o resgate da prosperidade econômica, entendo que culturalmente falando, vivemos um bom momento de evolução. Novos tempos. Ainda bem!

Fernando Freitas é funcionário público estadual e escreve às quartas feiras.

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