O Lobo em minha casa
Maria Angela D´Incao
Ao resgatar esse cão das ruas de São Paulo, nunca pensei que teria tantos motivos para alegria, preocupação e compreensão/incompreensão das pessoas sobre os animais e, sobretudo para com os animais dos outros.
Pois bem, começo hoje pelo mais próximo: Em meu quarteirão na Rua Maria Barbosa, desta nossa city recebi recado enviado pela porta-voz da oposição ao Lobo em minha rua.
O que alegam os oposicionistas? Que o cão é grande e que não gostam de cães grandes soltos; que o cão deveria ficar preso; que o cão estraga o jardim de quem não tem cerca frontal... E que os gatos de outra oposicionista não têm mais sossego.
Enfim... Legítimas alegações?
Desde que o Lobo chegou a nossa casa tenho igualmente recebido cumprimentos pela eficiência do cão em manter os aproximadamente 50 gatos restritos a sua casa. Esse número, com todos os exageros foi contabilizado pelos que sofrem com os efeitos desses felinos defecando e transando nas madrugadas, que são também adoráveis quando em menor número. Esses bichanos pertencem a uma senhora oposicionista.
Além disso, outros vizinhos vieram pessoalmente dizer que enfim, agora não teremos mais gatos em nossa rua e jardins!
Um de nossos vizinhos teve que gastar, há algum tempo, uma grana para proteger sua varanda dos resíduos dos gatos de sua visinha de frente. Nessa ocasião, perguntada por ela... Expressei minha opinião: - deveria levar seus gatos para sua fazenda. Eles de fato incomodam.
Mas a coisa continuou rolando... Houve e há ainda até uma espécie de bombardeio noturno aos gatos que estragam nossos jardins e até carros e árvores, como alega uma vizinha!
Enfim, legítimas implicâncias?
Um dia desses o Lobo desapareceu... Depois de sua volta matinal, não voltou! Esperamos, esperamos e mais esperamos... Nada do Lobo voltar.
No ultimo domingo pedi conselhos ao nosso delegado: O que fazer nesses casos? Fui estimulada a fazer um boletim de ocorrência não criminal – coisa que fizemos na última segunda-feira. Ao mesmo tempo, desse domingo último o Blog do Toninho Moré e as rádios da cidade anunciavam o sumiço de nosso cão.
Ficamos todos muito tristes com o sumiço do “grandão”! Convém frisar que também estive acamada – inclusive com assistência médica – devido a que, afinal? Os sentimentos são uma fonte inesgotável de males, não é mesmo leitores?
O fato é que na segunda ao anoitecer recebemos um telefonema dizendo que estavam com o Lobo e que queriam devolver porque haviam lido no Toninho Moré que o cão estava sumido. Demos o endereço e aguardamos a chegada do Lobo que se fez entrar com alegria e latidos mil... Ao retornar a sua casa e cama aquecida e macia.
Os dois rapazes foram muito decentes e um deles retornou na terça-feira (uma vez que eu estava acamada) para explicar as circunstancias da posse do cão. Agradecemos muito e os convidamos para virem quando quiserem visitar ou passear com o Lobo. É bom lembrar que os que têm cães, sabem do amor de um animal a seu dono! Jovens, lindos e afetuosos merecem nossos cumprimentos, sem dúvida. Eles inclusive me orientaram a não deixar mais o Lobo andar desacompanhado, pois ele era muito lindo, dócil e de fácil acesso.
Assim, como pensar esse repúdio ao Lobo em nosso quarteirão se, por outro lado há tantos moradores que o aprovam e aplaudem? Como resolver esse impasse? Uma eleição ou chamemos o camburão como já foi nos ameaçado mais de uma vez?
Esperando que não o matem, como já foi comum em nossa rua e cidade, propomos sempre carrega-lo encoleirado e ou acompanhado por um guia. Haverá com certeza, eventualmente, alguma quebra de regra, pois quando lidamos com gente e animais isto acontece.
Para finalizar essas notas gostaria de lembrar que entre os oposicionistas há também pessoas que trabalham para a caridade e que certamente o fazem, como tantos, por compaixão aos pobres e oprimidos desta sociedade. E que certamente creem em Deus! O que diria São Francisco de Assis dessa repugnância a um cão grande? E o nosso Papa Francisco, o que pensaria dessas atitudes? Enfim, será que pensam também que os cães não entram no céu?
Quando se vive em sociedade é preciso ter respeito pelo outro, não é a nossa condição de cidadãos?